Maio 22, 2009...4:52 am

Confissões ou A Estação – I

Ir aos comentários

Atiro estas palavras ao vento talvez para ninguém ou talvez apenas para mim.

Entre andanças, tropeços, descobertas, redescobertas, sigo meu caminho.

Cometi o erro de cair em um niilismo mal direcionado, me entregando a uma certeza em um vazio que podia ser facilmente  confundido com tantas outras crenças das quais eu desprezava ou tentava desprezar.

Sendo sucinto, no momento acredito que é necessário um esforço para a  desmistificação das instituições e dos valores, mas não para uma destruição destas. Agora considero impossível uma eliminação total delas de nosso ser, pois somos onde nascemos, somos as pessoas que convivemos, os fatos que nos apresentam; penso que acreditar que podemos simplesmente extirpar todos estes valores de nossa consciência, nos isolando em nós mesmos em uma ilha de ceticismo chega a ser ingênuo.

É uma conclusão relativamente fácil a se chegar mas que descobri ser um tanto árdua na prática, algumas vezes me fazendo cair em uma amargura que agora vejo desnecessária.

Sendo assim, o meu ideal é o de desmistificar e compreender, e não desmistificar e desprezar.

Parece que ser amoral acaba se transformando em uma moralidade, mas mesmo assim elejo essa moral da descrença como a menos danosa para mim mesmo, mesmo que esta exija uma certa cautela.

Se quero amar, devo fazê-lo, mesmo sabendo que este amor não vai dar uma significação à minha vida, que é construído, que não existe por si só, que não é etéreo, não é eterno, que este no máximo vai se encerrar junto com o lacre de meu caixão; se tenho noção disso, aproveitarei esse amor de fato. Se quero apreciar arte, devo fazê-lo também, mesmo sabendo de seu caráter de mercadoria ideológica e de que qualquer esforço para elevá-la a um plano superior é pura bobagem e nonsense; talvez assim, sem uma apreciação estética rígida, seja possível entender a obra como ela é de fato, pois  já não há o que compreender.

E assim por diante.

Deixe uma resposta