Junho 2, 2009...3:37 am

A Encruzilhada da Sociologia I – Os Limites da Sociologia

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O que pretende a sociologia e as ciências sociais?

Pretende interpretar, compreender, analisar a sociedade?

Sociedade? De que diabos isso trata?

Será um conceito abstrato existente apenas na cabeça dos homens ou uma força externa real que age e oprime?

Será possível que a sociologia consiga realmente compreender essa tal “sociedade”?

Poderia pesquisar e falar de vários conceitos e pontos de vista possíveis que tentam definir “sociedade”, mas para começar, vou ficar com a concepção da qual mais me identifico, a de Norbert Elias e seu “jogo”.

Simplificando, Elias usa o exemplo de um jogo de pôquer para metaforizar a sociedade, os jogadores fazem o jogo, pois sem eles este não existiria obviamente, mas o comportamento destes está limitado por certas regras específicas do jogo, mas que mesmo assim, não os condicionam totalmente a uma certa atitude pré-determinada, pode-se usar estratégias, blefar, ou até mesmo trapacear. O grande mérito de Elias neste ponto é a superação da dicotomia formal entre o indivíduo e a social.

Outra rápida observação aqui é necessária, pois acontece algumas vezes de pensadores sociais acabarem por acreditar em uma sociedade externa ao indivíduo, como se este fosse uma espécie de marionete sem consciência própria e autonomia que é apenas determinado pela sociedade. Este tipo de behaviorismo social (quase esotérico) pode ser extraído de certos pensadores clássicos, tais como Marx e o materialismo histórico dialético e Durkheim com seu fato social, dependendo (e muito!) da leitura que se faz deles.

Nietzche matou o livre-arbítrio, e assim faz a ciência social normativista, ao alegar uma super-determinação social sobre o indivíduo, e também os biólogos e psicanalistas radicais, com suas também super-determinações biológicas e psicanalíticas. No extremo oposto se localiza o liberalismo, o existencialismo de Sartre, e certa parte do pensamento cristão,  pregando uma total liberdade de ação humana.

Elias supera esta discussão ao falar que existe uma autonomia do indivíduo sim, mas que esta é totalmente condicionada e limitada pelos contextos político, econômico, cultural, etc; enfim, social. Se estou preso em uma cela, tenho a “liberdade” de escolher entre sentar e olhar para o teto, ou deitar e dormir, ou ler um romance se tiver um em mãos, ou me suicidar; mas isso não muda o fato de que meu espaço está totalmente limitado pelas grades e paredes, e de que não lerei se não houver nenhum livro na cela.

Isso é o mais longe que a sociologia consegue chegar, pois… Como ir além? Como estudar e teorizar sobre esta autonomia e os limites dela envoltas em densas névoas? Como entender e compreender em sua totalidade as variadas veredas que as escolhas tomadas pelos homens seguem, decisões estas tomadas dentro de um mar de possibilidades (ainda que circunscritas socialmente)? Se formos a fundo de nossas indagações, chegamos a este caminho sem saída.

Argumenta-se que a sociologia não se propõe a explicar isso.

Bom, estão certos.

(Continua)

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