Junho 4, 2009...7:45 pm

A Encruzilhada da Sociologia II – O Deus Sociologia

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Estas lacunas presentes na sociologia podem ser sutilmente disfarçadas com estas concepções deterministas e redutivistas oriundas de certas interpretações de certos autores, ou podem abrir espaço para o diálogo com outras áreas de conhecimento provindas de matrizes teóricas diferentes, tais como a psicologia, a história, a economia, entre outros. Causando uma complementaridade entre estas escolas que é inerente a uma tentativa de compreensão abrangente da sociedade,está é uma atitude contrária a de alguns sociólogos e cientistas políticos, que assumem uma posição unilateral declarada e em nome desta teoria escolhida e de suas “leis” negam não somente o intercâmbio com outros campos além daqueles que as ciências sociais abrangem, mas também impedem o diálogo entre as escolas existentes dentro da sociologia e das ciências políticas, erguendo mais trincheiras na grande batalha retórica em que as ciências sociais se transformaram.

Se aceitarmos o caráter incompleto, insuficiente da sociologia, podemos então finalmente utilizar dela para compreender e solucionar problemas de fato. É uma equação simples: quanto menor a dogmatização da sociologia, maior a sua aplicabilidade.

Para esclarecer, usarei aqui um termo teórico que incomodará a muitos, o que tento explicar é uma espécie de “positivismo não-positivista”. Positivista porque ainda contemplo a possibilidade de uma utilidade das ciências sociais, considero a utilização empírica desse conhecimento; não-positivista, pois apesar deste empirismo, não as vejo como uma verdade absoluta, uma tentativa de capturar a “realidade”, ou frações desta. Positivista porque de uma certa maneira, estou defendo a sociologia como uma “ciência”, no que tange a sua utilidade (ainda que uma ciência diferente, pois seus métodos são mais dinâmicos e volúveis), não-positivista pois não vejo nenhuma ciência como um saber absoluto, erigido nos moldes de uma razão pura que existe por si só, mas sim como totalmente limitadas e insuficientes. E mesmo supondo que a proeza hercúlea de agregar todas as áreas de conhecimento fosse conseguida, estas mesmo atuando em conjunto ainda não bastariam para compreender na totalidade esta variável humana (o que de nenhuma maneira quer dizer que acredito em uma “liberdade total” de ação dos homens).

Sendo assim, utilizo estas perigosas palavras (ainda que com aspas), “ciência” e “positivismo”, para dizer que a sociologia não deve ser comparada a uma “ciência” para ser elevada a um status absoluto de conhecimento (coisa que alguns já o fazem), mas para expor suas deficiências e reafirmar sua utilidade. Não confundir com o ultrapassado esforço formal de tentar transformar a sociologia em uma ciência de fato .

Quanto mais se aprisiona a sociologia a conceitos estáticos, causando uma espécie de elevação desta a um pedestal imaginário, mais se alarga o abismo entre a teoria e prática. Não se trata aqui de estacionar o conhecimento sociológico, impedindo o desenvolvimento de suas teorias, mas sim de uma mudança nas bases nas quais estas estão sustentadas.

Os sociólogos cansam de apontar para o caráter “humano” dos cientistas (das áreas biológicas, matemáticas, etc.) e do conhecimento produzido por eles, mas esquecem de um fato extremamente óbvio de que eles mesmos também o são (humanos), e que seu conhecimento também está condicionado à sua visão de mundo como um agente inserido em um determinado contexto social / histórico, que seguiu um determinado percurso individual; e acabam erigindo um Deus Sociologia, para confrontar-se no Campo de Batalha das Idéias com outros Deuses apoiados em outros pontos de vista.

Para reformular as ciências sociais, seria necessário primeiro, mudar o âmago do pensamento ocidental, esta maneira de pensar enraizada em quase todos os exercícios de reflexão, implodir por dentro esta insistência em procurar e encontrar verdades, seja nas ciências, seja na(s) filosofia(s), ou no pensamento religioso.

As maiores farsas da humanidade: Deus, o Amor, a Democracia e a Sociologia.

(Continua)

Estas lacunas presentes na sociologia podem ser sutilmente disfarçadas com estas concepções deterministas e redutivistas oriundas de certas interpretações de certos autores, ou podem abrir espaço para o diálogo com outras áreas de conhecimento provindas de matrizes teóricas diferentes, tais como a psicologia, a história, a economia, entre outros. Causando uma complementaridade entre estas escolas que é inerente a uma tentativa de compreensão abrangente da sociedade.

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