Segue um emocionado relato de um caro amigo, descrevendo um momento em que eu também me fazia presente.
Carta de Lamento
“Bem, meu nome é Márcio, conhecido como Puna.
E é com muito pesar que escrevo esta carta, mas se trata da trajetória de um vencedor: meu Tempra SW.
* 1995 – 2007
Nascia em 1995 o Tempra SW verde, na época eu tinha 11 anos.
Praia, estradas, clubes, festas; tudo este carro presenciou, junto comigo, foi ele que me levou pelas ruas para comemorar minha aprovação no vestibular, era ele que levava 15 pessoas quando faltava vaga nos outros, foi ele…
Mas como todo ser, o Tempo também chegou para ele; uma mangueirinha, uma bomba de freio, uma borrachinha pra marcha, as janelas não abaixavam mais, o porta-malas já não trancava.
Mas lá ia o grande Tempra SW, o mais famoso de Belém-PA.
Na tarde de 27 de julho de 2007, estava ele levando meus amigos do Rio de férias, com todo o peso de sua idade, rodando a manhã inteira. À tarde, após o almoço, meu Tempra, meu querido Tempra faria seus últimos metros de vida.
Entrei junto com meus amigos e fomos saindo. Pouco mais de 100 metros depois, ali na Antônio Barreto entre a 14 de Março e a Generalíssimo, comecei a sentir um cheiro de queimado, como se o carro soubesse.
Uma fumaça preta começou a sair pela ventilação, dobrei a esquina e o carro deu seu ultimo suspiro, morreu, sem estancada, sem barulho, morreu…
Quando fui encostando, a fumaça preta subia como se levasse uma história.
No momento em que puxei a alavanca para levantar o capô, uma explosão!
Pânico geral, caí pela calçada, meu celular para um lado, meu óculos para o outro e meu chinelo na vala, uma labareda de fogo tomava a parte do motor.
Desesperado tentei apagar o fogo, sem sucesso, com o extintor que fica debaixo do banco. As pessoas em solidariedade tentaram me ajudar com seus extintores, também não conseguiram. Um pessoal do posto de gasolina vinha com baldes de água, eu no meio da fumaça tentava salvar não só meu carro, mas ele, o Tempra SW 1995, um membro da família, uma história.
Sem mais saber o que fazer, sentei na calçada em prantos vendo meu querido carro tomado pelas chamas.
Ao longe, eu via seu pára-choques derretendo, pneu, retrovisores.
Lá ia meu Tempra SW 1995, subia com a fumaça a história de um carro vencedor, um carro para poucos, um carro para a vida.
Parei no hospital e mesmo tomando 30 minutos de Oxigênio, até agora me falta ar para sair de casa e ver um grande vazio na garagem.
Adeus meu carro, adeus Tempra SW, adeus o melhor carro do mundo.
Depois de 5 Minutos apagando o Fogo, eis o diagnóstico dos bombeiros:
- ‘A peça de metal que sustenta o capô caiu, encostou na bateria e causou curto-circuito.’
Um curto-circuito, uma parada cardíaca talvez.
Que seja, obrigado Tempra SW por um dia existir, você foi e será sempre sinônimo de carro bom ! “